quarta-feira, 11 de maio de 2011

Texto de Jorge Camargo (Poeta e Músico)

O NOME

Alguns se acham donos do Nome. Outros se tornaram representantes do Nome, especialistas em interpretá-lo, explorá-lo e vendê-lo.

Outros falam no Nome o tempo inteiro, a ponto de fazer com que corra o risco de tornar-se apenas um nome como outro qualquer.

Enquanto isso, o Nome se manifesta no silêncio e nos ruídos da natureza, nas palavras de quem não tem voz nem vez.

Há também os que odeiam o Nome, na maioria das vezes por conta daquilo que os que ostentam o Nome fazem (ou deixam de fazer) em nome Dele.

Ultimamente tenho evitado proferir o Nome.

Mais que depressa alguns que adulam o Nome me acusam de tê-lo renegado.

Não me importo.

O Nome e eu sabemos que isto não é verdade.

E aquilo que o Nome sabe é o bastante, mesmo quando nada sei.

Eu tenho evitado pronunciá-lo, mas não porque o despreze.

Pelo contrário.

Ele tem-se tornado ao longo da vida tão grande pra mim que as formas de proferi-lo são incapazes de abarcá-lo.

E é bom que seja sim.

O Nome quando explicado, destrinchado, estudado e analisado, corre o risco de ser apenas um mero nome.

E penso que o Nome gosta mesmo é de não ter nome, uma vez que se identifica radicalmente com os anônimos do mundo, com os que não são, que não têm nome.

É muito bom ter reverência pelo Nome.

Ele fica bem longe.

E aí está o paradoxo: quando longe, o Nome se faz mais perto que nunca.

E deixa de ser apenas um Nome, pra ser gente.

JORGE CAMARGO

jorgecamargo.net@gmail.com

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Imagine...

Estava fuçando em textos antigos e encontrei esse que fiz quando trabalhei numa empresa de calçados aqui em Franca...


Memorando “Imagine”

A quem interessar possa...

A imaginação é mais importante do que a inteligência – Albert Einstein.

Temos que ter Produto. Nossa fábrica faz calçados, e é isso que temos que priorizar. Corretissimo!
Dentro deste conceito, sabemos que não somos os únicos a pensar assim, nem os únicos a buscar a melhoria destes produtos de forma contínua. Não somos os únicos a planejar a melhor forma de expor nossos produtos, existe uma disputa enorme pelos melhores espaços nas vitrines, nos outdoors e revistas, isso sem mencionar os custos de publicidade. Mesmo em tempos de condições favoráveis para investimento em publicidade, sabemos que não é simplesmente queimar a verba, deve haver planejamento e sacadas geniais para fazer o retorno acontecer. Sabemos também que não somos os únicos a saber disso. Sabemos de muita coisa. Isto posto, nos resta a pergunta:
“O que podemos fazer para que ao entrar numa loja com o propósito de comprar um calçado o consumidor escolha o nosso e não o do concorrente?”
Tenho algumas sugestões. Lennon usou o tema “Imagine”. O legal desta palavra é que ela se escreve igual tanto em inglês quanto em português. Então vamos ao Imagine:
Imagine se tivermos um foco definido de publico, produto e estilo, que foi determinado por observação de tendências mercadológicas mais seguras e com maior probabilidade de ocorrerem do que uma simples pesquisa de mercado e troca de idéias entre amigos. Imagine podermos dizer “Não, obrigado!” para novas ondas que surgirem e não for parte daquilo que temos como foco?
Imagine termos um produto inteligente, bonito, bem produzido, que flutue na linha de produção sem representar peso para nenhum setor envolvido, que faça sorrisos abrirem na medida em que vai passando pelas etapas de elaboração e produção até chegar ao consumidor final. Algo mais ou menos como a Ford disse que aconteceu quando fizeram o Focus (Happy Together).
Imagine termos um processo produtivo sem perdas, sem desperdício, com melhor aproveitamento das funções e habilidades dos colaboradores?
Imagine termos equipes interligadas com um senso de cooperação mútua maior do que nosso ego, visando sempre que é ótimo para nossa empresa quando tudo acontece de modo a contribuir para que no final do dia trabalhado os pares planejados estão nas caixas que a expedição está separando para a transportadora entregar.
Imagine este produto ao chegar na loja, ser desembalado para exposição e venda, passar para todos que o tocam e olham, a mesma energia positiva que corre aqui onde ele é feito.
Imagine um espaço reservado no ponto de venda onde nosso produto estará em seu habitat natural, uma ambientação planejada para mostrar os detalhes que compõem o produto, uma exposição composta de iluminação, som, aromas, tato, uma comunicação que ative os cinco sentidos do consumidor.
Imagine um vendedor nosso dentro da loja, vestido com o visual da empresa, sorriso na cara, informado sobre as características tecnológicas do nosso produto por experiência própria na pratica esportiva ou uso casual. Um vendedor que vai promover a venda, encantar até mesmo o curioso que entrar na loja pra perguntar onde fica o açougue do seu João, que depois de falar com este vendedor vai para o açougue com um produto nosso nos pés, se perguntando por quê demorou tanto para colocar os pés algo tão bom.
Imagine uma promoção que vai alavancar vendas não por tirar produtos do estoque, mas para oferecer uma experiência extendida a quem ainda não possui um de nossos produtos e então agora vai ter e participar do que é ser um feliz consumidor de nossos produtos.
Imagine este produto, ao cumprir seu papel e atingir o ponto de descarte, poder ser descartado como no lixo reciclável, sem causar impacto destrutivo na natureza, nem na origem nem no fim do seu ciclo de vida útil.
Imagine que este produto pode mudar vidas. Pode trazer à realidade sonhos que estavam adormecidos ou até mesmo mortos. Pode levar oportunidades a quem achava que nunca teria uma. Pode mudar as pessoas. E mudando as pessoas, o mundo.
Apenas imagine.

Gustavo Barbosa
Designer de Produtos
09/01/2000inove!

segunda-feira, 7 de março de 2011

Repostando, atendendo a pedidos

Copenhague 2009 – O Fiasco
Aço. Concreto. Vidro. Silício. Água. Petróleo. Madeira.
Dias desses eu estava imaginando a Terra como a figura de uma Mãe zelosa, amorosa. Nos primeiros instantes do bebê, ela o alimenta com o melhor de si, com sua energia que flui pela ligação umbilical.
Um pouco de tempo passa e de repente ela já segura nos braços um bebê que desperta nela um cuidado e carinhos ainda maiores. O bebê cresce, começa a engatinhar, sujar as fraldas, mas faz parte desta etapa de vidinha dele.
Alguns milênios se passaram, e este “bebê” se recusou a crescer. Não saiu de seu colo para desenvolver a Vida, não respeita a Mão que o gerou, alimentou e limpou. Vejo a imagem de um cara de trinta e poucos anos, que acha que sabe tudo do que se há para saber, que insiste em sugar as tetas dessa Mãe, e se alimentar dela, porém sem ter o menor constrangimento em defecar em outro lugar. Não! Caga em cima dela mesmo!
Bicho, penso por um instante na quantidade de veículos parados em pátios de montadoras esperando para irem pras ruas, na quantidade de carros em lojas de automóveis, tanto novos quanto usados, esperando para engarrafar o trânsito de qualquer cidade. Penso na energia que foi gasta projetando, testando, construindo, evoluindo estes carros até o modelo final que foi posto à venda.
Pneus, vidros, couro nos bancos, metal, tintas. Tudo retirado de dentro da Mãe.
Olho a cidade onde vivo. Cada prédio, cada casa, cada barracão foi feito com matéria prima extraída da Mãe. Olho para o asfalto que cobre a cidade e me deixa tão feliz quando está novinho e sem buracos pois não estraga o meu carro, mas quando chove, algumas pessoas enfrentam alagamento pois a água que seria absorvida pelo solo agora não encontra permeabilidade e vai correndo e se juntando com mais água e desembocam nos pontos críticos do percurso, arrastando carros, pontes e crianças que encontra pelo caminho.
Penso na casa que quero construir, no imenso terreno, pé direito bem alto e muita madeira, concreto e vidro no projeto, pra dar estilo. Penso em dinamites explodindo montanhas pra me fornecer pedra brita, buracos e mais buracos sendo cavados para me fornecer cimento, árvores arrancadas para fazer meus móveis e servir nas vigas da minha casa.
Penso em quanta comida estraga todos os dias nos mercados perto de casa e que são jogados fora por estarem impróprios para consumo humano, mas penso às vezes que quando estavam nas prateleiras eles já estavam “impróprios para consumo” por causa do preço alto. Muita gente que se alimentaria poderia ter acesso a este alimento, mas a grana ficou curta, não deu pra comprar, agora é lixo. E se o mercado resolver distribuir tudo um dia antes do prazo de validade vencer, ou mesmo no dia exato do vencimento, tenho certeza de que cabeças vão rolar. Deve haver outra forma de lidar com isso.
Penso em tantos itens de tecnologia que estão sendo oferecidos pra mim e que não vou fazer uso de todos os recursos daquilo, nem que eu viva três vidas! Mas eu quero pra mim! Eu preciso! Penso nas descargas que dou em casa a cada ida ao banheiro, mesmo pra fazer o numero um, e fico vendo aquela água clorada, tratada, filtrada sendo usada pra levar mijo embora. A mesma água que eu bebo, que uso no banho!
Penso em tantos outros condomínios e prédios que serão construídos para atender a uma já grande demais população que continua nascendo sem a mínima instrução pra vida. Mais uma geração de consumidores. Mais gente pra trabalhar e pagar a conta ecológica que está chegando. Penso que o Homem quando surgiu na Terra, teve seu tempo de adaptação, de entender o funcionamento e as boas trocas que ele poderia fazer com a Mãe. Nesse tempo a humanidade era bebê.
Depois veio o tempo em que o Homem já tem consciência de si e da Terra, e percebe que a poluição, ou seja, cagar em cima da Mãe não é lá muito bom.
Hoje, por incrível que pareça, o Homem se reúne pra dizer que vai continuar chupando a seca teta da Mãe que começou a sangrar, que vai continuar mexendo em seus órgãos vitais pra tirar o que lhe for do interesse de lá, e continuar cagando em cima destas feridas abertas e sem tempo de cicatrização que escavadeiras e plataformas de petróleo estão fazendo.
Vai continuar porque quer grana. Ou seja: Poder. Ou seja: Foder! Quem quer que seja!
O impulso suicida da humanidade representado em seus lideres deixa claro que me dou o direito da busca daquilo que eu defino como “Felicidade”, mesmo que isso me esteja preparando a morte certa.
Mas meu erro é pensar que essa Mãe vai ficar quietinha triste observando isso tudo. Meu erro é pensar que sou a primeira espécie a estar no colo dela e desrespeitá-la achando que vai ficar por isso mesmo.
Penso eu.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Incertezas... (Encontrei este texto num caderno antigo)

Algumas incertezas podem ser Prazer
Outras certezas podem nos ferir
Já vi incertezas serem celebradas
Já vi certezas serem odiadas
E a certeza que sinto
Não sei se é Calor ou Frio
Só sei que não deixa você passar despercebida

sábado, 1 de janeiro de 2011

Rindo até agora!


Aproveitando a oportunidade e desejando a todos um próspero, feliz e produtivo novo-ano! Terminei de ler um livro que achei hilário! Fala do relacionamento do autor com a simplicidade e falta de rodeios de seu pai. Indico a todos! Frase impagável: "Às vezes a vida deixa uma nota de cem dolares na sua cômoda e só mais tarde você percebe que foi porque ela te fodeu".

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Algo incomodando...

Algo incomodando um acomodado coração
Acomodado ao possível, ao alcance da minha mão
Incomodado e mudado.
Emudado.
Por fim, grato.

Escrito digerindo "Mais Perto Quero Estar", com o verso "inda que seja a Dor que me una a Ti" entalado junto com lágrimas na minha garganta.

Texto de um Devedor.